Após o anúncio em 2020, Pragmata enfrentou três longos adiamentos, chegando a ficar em “adiado indefinidamente” em 2023. Mesmo com todos os contratempos, o jogo foi lançado em 2026 como o terceiro título da Capcom no ano. Apesar de ser uma nova franquia, Pragmata vem conquistando atenção positiva tanto do público quanto da imprensa, principalmente após o excelente desempenho da demo Pragmata Sketchbook, que apresentou de forma convincente seu sistema único de combate com hacking.

História
No jogo, controlamos o astronauta Hugh Williams, um auditor de sistemas da Delphi Corporation, uma das empresas pioneiras em tecnologia lunar. Hugh e sua equipe são enviados à base lunar da empresa para investigar possíveis falhas na rede tecnológica.
A Delphi se destaca por produzir androids que atuam tanto como mão de obra quanto como segurança das instalações. Um dos grandes destaques da lore é o “filamento lunar”, material desenvolvido a partir de minérios lunares que permite imprimir estruturas complexas em larga escala.

O mundo futurista e a estética do jogo são frutos da colaboração de três mentes criativas: o diretor sul-coreano Cho Yonghee, Masachika Kawata (veterano da série Resident Evil, desde o RE3) e o lendário Shōji Kawamori, criador e animador da franquia de mechas Macross. Suas assinaturas são visíveis em diversos momentos do jogo.
Durante a missão, um terremoto lunar causa uma pane na IA da base, fazendo com que os androids se voltem contra Hugh. É nesse momento que surge a Pragmata D-I-0336-7, uma androide com aparência de uma menina loira de cerca de 7 anos. Hugh a renomeia de Diana para facilitar a comunicação. Ao longo da campanha, descobrimos pouco sobre ela, que também parece não saber seu real propósito na base. Juntos, Hugh e Diana tentam entender e resolver a falha na IA.

Apesar de funcionar bem como pano de fundo, a narrativa deixa a sensação de que poderia ir além. Faltam elementos que aprofundem mais o universo e tornem os acontecimentos mais marcantes, fazendo com que, mesmo não sendo ruim, a história acabe soando simples demais em vários momentos.
Gameplay
Pragmata é um jogo de ação em terceira pessoa que combina tiroteio com um sistema de hacking dinâmico e criativo. Para derrotar os androids inimigos, o jogador precisa hackeá-los com a ajuda de Diana. Ao mirar em um alvo, aparece uma pequena grade na tela onde é necessário conectar o ponto de origem até a célula verde, formando um caminho.

Durante o hacking, podem surgir dados corrompidos ou o processo pode ser interrompido caso o jogador sofra dano. Existem também nodos amarelos que funcionam como melhorias: eles permitem hackear inimigos próximos, causar mais dano, superaquecer o alvo ou preparar ataques críticos. O sistema se mantém divertido e variado até o final do jogo, pois novas camadas de complexidade e facilidades são adicionadas conforme a história avança.
O jogo também conta com um arsenal vasto de armas, que vão sendo desbloqueadas progressivamente ao longo da campanha. Além da arma primária (que pode ser aprimorada), o jogador ganha acesso a diversas armas secundárias e especiais, cada uma com comportamentos, cadências de tiro e efeitos únicos que se combinam perfeitamente com o sistema de hacking, oferecendo várias opções de builds e estilos de jogo.
Por outro lado, um ponto que pode incomodar é a ausência de combate corpo a corpo. Toda a dinâmica gira exclusivamente em torno do tiroteio e do hacking, e a falta de uma alternativa melee acaba limitando um pouco a variedade das situações de combate, principalmente em encontros mais próximos.

A exploração é outro ponto forte. O jogador percorre diversas áreas da base lunar, incluindo centros de pesquisa e réplicas impressionantes de locais da Terra (como uma versão de Manhattan e áreas de praia e floresta). É possível coletar itens de aprimoramento divididos em três categorias:
- Traje (aumenta vida e resistência)
- Arma primária (aumenta dano e precisão)
- Diana (melhora o dano e eficiência do hacking)
Algumas áreas são bloqueadas por portas vermelhas, que funcionam como “dungeons” opcionais e recompensam com módulos, habilidades passivas que podem ser equipadas em Hugh para melhorar hacking, dano, defesa etc.
A exploração tem leve inspiração metroidvania: algumas habilidades são necessárias para abrir novos caminhos e alcançar itens, o que torna a busca por 100% do mapa bastante viciante.

Outro destaque são os “brinquedos” colecionáveis encontrados pelo mapa. Ao entregá-los para Diana na base principal, ela interage com eles de forma adorável, fazendo perguntas genuínas e agindo como uma criança de verdade. Essas interações criam um laço emocional muito bem construído entre Hugh e Diana, quase como um pai e filha, e certamente é um dos grandes atrativos do jogo para muitos jogadores.
Conteúdos Pós-Game (Após Finalizar o Jogo)
Ao terminar a campanha principal e assistir aos créditos, o jogo libera vários conteúdos adicionais que aumentam bastante a rejogabilidade:
- New Game+ (NG+): Permite reiniciar a história mantendo upgrades, equipamentos, módulos e progressos.
- Modo Lunatic: Dificuldade extrema com inimigos mais fortes.
- Modo Unknown Signal: Conteúdo principal pós-game com 10 missões secretas, bosses aprimorados, novos colecionáveis e mods exclusivos.
- Novos trajes, armas adicionais e cenas alternativas de final.

Otimização e Desempenho Técnico
Durante as minhas aproximadamente 15 horas de jogatina no PlayStation 5 Pro, não enfrentei nenhum bug ou problema de otimização. O jogo roda de forma estável, com visual agradável e bom desempenho graças as melhorias visuais do PSSR. A Capcom conseguiu entregar uma experiência técnica sólida, tanto que o título também recebeu uma versão para Nintendo Switch 2, o que reforça o bom trabalho de otimização feito pela empresa.
Conclusão Final
Pragmata surpreende positivamente. Apesar de todos os adiamentos, o jogo entrega uma experiência sólida, com um sistema de combate original que mescla hacking e tiroteio, um arsenal vasto de armas que se desbloqueiam ao longo da história, exploração viciante e uma relação emocional bem construída entre Hugh e Diana.
Ainda assim, a ausência de combate corpo a corpo e uma narrativa que poderia ser mais aprofundada impedem que o jogo alcance um nível ainda mais alto. Mesmo com esses pontos, o conjunto final é muito competente.
O conteúdo pós-game reforça ainda mais o valor de rejogabilidade. É um título ambicioso, bonito e bem executado, que equilibra ação, puzzle e momentos leves de forma harmoniosa. Sem dúvida, uma das melhores surpresas da Capcom nos últimos anos e um excelente início para uma nova franquia.
