Nessa última sexta-feira (27 de fevereiro), fomos finalmente presenteados com o novo jogo da série Resident Evil, voltando às suas origens com seus elementos de survival horror e com Raccoon City de volta, a cidade que começou com todo o caos de sua franquia, porém, um dos principais personagens, Leon, o mais amado da franquia, na qual foi visto pela última vez cronologicamente em um jogo, sendo em Resident Evil 6, finalmente dando as caras novamente. Resident Evil Requiem, produzido pela Capcom, foi aguardado por meses, mas, será que toda essa espera valeu a pena, ou seria só mais um fracasso?
História
Logo no começo do jogo, acompanhamos Grace Ashcroft, filha de Alyssa Ashcroft, na qual é uma personagem jogável em Resident Evil Outbreak File1 e 2. Grace, perdeu sua mãe ainda jovem, e levou uma vida investigativa trabalhando no FBI. Logo no começo do jogo, Grace é sequestrada pelo vilão principal da trama, o cientista Victor Gideon, um aprendiz do antigo já falecido Oswell Spencer, na qual acha que Grace é a chave para seu experimento. Enquanto isso, as pessoas que sobreviveram à Raccoon City em 1998 estão sofrendo um tipo de mutação do Virus-T.
E é aí que Leon S. Kennedy entra. Leon foi atrás de Victor Gideon, pois ele era o homem que poderia dar as respostas sobre a contaminação do Virus-T, também procurando uma cura, fazendo assim, seu caminho se cruzar com o de Grace, formando uma relação curiosa, pelo fato de que Leon já está com seus 51 anos, já está velho, cansado e experiente, não se assustando em momento algum, enquanto Grace, ainda jovem, é inocente e medrosa, e com isso, temos suas diferentes mecânicas de gameplay.
Gameplay
Durante o jogo, passamos metade do tempo jogando com a Grace, com alguns pequenos momentos controlando Leon, e na outra metade, o contrário.
A gameplay de Grace, por ser uma mulher jovem e inexperiente, adapta o bom e velho survival horror que conhecemos desde o Resident Evil 1. Temos o tempo inteiro que racionar nossa munição e cura, sendo um tanto escasso, com inimigos bem fortes e espaços claustrofóbicos, tendo sempre que passar em stealth pra evitar ser visto, se movendo agachado e até mesmo com a lanterna desligada. Enquanto com Leon, já calejado de todo esse caos, é uma máquina de matar, com a gameplay totalmente diferente, toda puxada pra ação. Enquanto com a Grace nós usamos pouquissimas armas, com o Leon, nós pegamos shotgun, sniper, metralhadora e tudo que já estamos acostumados com Resident Evil, fora também o parry que possamos dar com nossa machadinha, que diga-se de passagem, possui praticamente durabilidade infinita, tendo em vista que possamos usar uma pedra de amolar o tempo que quisermos. Temos também seus bons e velhos chutes, como já vistos em Resident Evil 4 e 4 Remake.
Vale citar, também, mesmo que brevemente, que do começo ao fim o jogo nos proporciona diversas mecânicas diferentes, tanto com a Grace quanto com o Leon, como, por exemplo, podendo lançar armas brancas de inimigos em outros inimigos.
O jogo proporciona apenas duas dificuldades logo no começo, casual e padrão, comigo tendo jogado no padrão, e posso dizer que é uma dificuldade acima do normal já visto na franquia, tal qual jogadores acostumados apenas com os RE de ação, poderão ter um certo problema pra se adaptar, principalmente com a Grace, que tem uma gameplay mais lenta e estratégica que a do Leon.
Exploração
A exploração dos Resident Evil, sempre foram na minha opinião, a parte central do jogo, e aqui eles fizeram com excelência, pois se inspiraram muito nos clássicos da franquia, o tempo todo tendo que voltar nas salas já vistas antes, pra ter que resolver um puzzle, ou levar um item-chave de ponto A ao ponto B, tendo diversas áreas perdíveis nas quais tem um loot excepcional, nos fazendo ter o dobro de atenção para não perdermos nada, explorando sempre cantinho por cantinho. É bem notável, também, o quão lindo e amedrontador os cenários estão. Com a Grace, estamos sempre em lugares mais fechados, escuros e melancólicos, que expressam a impotência da personagem, tendo que em boa parte das vezes, apenas correr para não gastar nossos recursos, enquanto com o Leon, são espaços mais abertos e claros, pra sermos livres de dar os chutes e o quanto de parry quisermos.
Assim como nos Resident Evil antigos, aqui, ao jogarmos com a Grace, temos durante todo o jogo, uma perseguidora chamada de Hag, uma criatura enorme e bizarra, mais ágil que o Mr. X de RE2 mas não tão rápida quanto Nemesis de RE3, porém, tão insuportável quanto esses dois. Assim como todos os perseguidores da franquia, nós não podemos mata-la, apenas atordoa-la, nos dando bons segundos de vantagem. Hag é extremamente sensível à luz, sendo nossos pontos de vantagem durante a perseguição, afastando o monstro, tendo até mecânicas em puzzle que envolve Hag para poder espanta-la. No geral, Hag não é uma perseguidora ruim, mas muito longe de ser emblemática como o próprio Mr. X e Nemesis são, sendo até um tanto esquecível.
Algo que fazem com muito êxito, na qual sou obrigado em citar aqui, é como eles conseguem mesclar as novidades da jogabilidade e cenários de Grace, com a nostalgia ao jogarmos com o Leon, principalmente ao voltar para a R.P.D, estando idêntica ao de Resident Evil 2 Remake, contendo uma sensação estranhamente boa ao vermos nosso protagonista de volta àquele lugar, mesmo depois de décadas.
Desempenho
Eu joguei Resident Evil Requiem, no PS5 Slim, e devo dizer que não tive nenhuma queda de FPS, sempre estando cravado em 60, não tendo em momento algum, uma mínima queda que fosse, mesmo em ocasiões com mais partículas na tela que o normal.
Conclusão
Resident Evil Requiem, digo com folga, que pode ter sido tranquilamente O maior acerto da Capcom nos últimos anos. Tudo o que fizeram com o jogo, fizeram com muito carinho, agradando tanto quem prefere a tensão, quanto quem prefere a ação. Sendo bem sincero, eu duvido muito que os próximos a serem lançados irão superar Requiem no quesito de qualidade. Esperamos Requiem por meses, eu estava com a expectativa extremamente alta, mas conseguiram entregar muito mais do que eu esperava. Entretanto, também há algumas críticas válidas a se fazer, como por exemplo, o alcance exagerado dos inimigos, dando a impressão, pelo menos ao jogar com a Grace, principalmente em primeira pessoa, que o inimigo está bem longe e conseguimos passar para tal lugar sem problemas, e de repente ele nos ataca. Mas o que mais me incomodou de longe, foi sem dúvidas os furos de roteiro, dando a entender que agora os Remakes são canônicos, substituindo os originais na lore, principalmente em divergências com Resident Evil 2, fazendo parecer que o caminho de Leon A é canônico.
Mas são erros bobos, e que conseguimos facilmente relevar, levando em consideração todo o glamour que nos foi entregue, comigo mesmo, arriscando a dizer que possa ser o melhor Resident Evil desde Resident Evil 4 original.
