Assassin’s Creed Black Flag: Resynced – Review

Por volta de 12 anos pra cá, a Ubisoft vem falhando em vários fatores na indústria dos games, na qual não acaba sendo novidade para ninguém, mas sua galinha de ovos de ouro sempre foi uma das maiores franquias já feitas nos jogos, Assassin’s Creed, e mesmo estando em um período de decadência, a franquia sempre vendeu milhões e milhões. Porém, sabendo que não podiam continuar no mesmo nível de qualidade entregue mostrado nos jogos anteriores da empresa, Ubisoft decidiu fazer uma aposta, trazendo de volta um dos jogos mais amados de Assassins’s Creed, que é o próprio Assassin’s Creed Black Flag recebendo um remake, lançado agora no dia 09 de julho.

Essa escolha dividiu muito a opinião dos fãs, pois ao mesmo tempo que é um jogo amado por muitos, há outros que talvez mereciam mais atenção e cuidados de um remake, como o primeiro jogo da franquia por exemplo. Então, será que foi uma boa escolha ou a Ubisoft apenas fez uma aposta desesperada na qual a fez afundar mais ainda no poço?

Apesar de ser considerado um remake, o jogo está muito mais pro lado de um remaster com algumas boas melhorias. Diferente de como é mostrado em Resident Evil, por exemplo, que mudam muito sua gameplay e exploração no geral, e, normalmente, agregando mais sua história e adicionando coisas novas, Black Flag Resynced busca mais melhorar o que já era bom e tornar bom o que era ruim em seu original, na qual souberam dosar muito bem.

HISTÓRIA

No jogo somos apresentados a Edward Kenway, um galês que trabalhava em uma fazenda, porém, por sua ganância e soberba, decidiu levar uma vida típica de aventura pirata, saqueando tesouros pelos mares das Índias Ocidentais (Caribe), para buscar uma vida melhor para si mesmo e para sua esposa, Caroline. Assim como é mostrado de forma muito cômica e interessante nos outros Assassin’s Creed, aqui temos vários personagens que existiram na vida real, que fazem parte do círculo de Kenway, como Edward Thatch, o grande Barba Negra; Anny Bonny; Mary Read; Charles Vane; Stede Bonnet e muitos outros, na quais todos fizeram muita história em sua época, na qual foram extremamente bem acuradas e mostradas no game, mesmo de forma adaptada com a trama do jogo.

Logo no começo do jogo, quando somos apresentados ao nosso protagonista, somos atacados por um assassino do Credo dos Assassinos, que estava a roubar um artefato de seu grupo, assim, os traindo. Edward logo neutraliza o alvo, rouba suas vestimentas, o tal artefato, e é guiado por uma carta na qual estava no bolso do traje, o levando para a cidade de Havana, na qual deveria dar o artefato para os templários, com o bom e velho objetivo de tal grupo dominar o mundo, dizendo que irão trazer paz e união.

Essa atitude de Edward prejudicou e muito os Assassinos da região, que eram os responsáveis pelo artefato, e que por muito tempo, não se importou nem um pouco com as consequências que aquilo traria, estando apenas interessado na grande quantidade de dinheiro que sua obsessão lhe estava proporcionando. Entretanto, conforme eventos vão acontecendo ao decorrer do jogo, podemos ver Edward se arrependendo de seus atos, e assim, por conta própria, decide ir ajudar os assassinos em busca do artefato, impedindo o ato dos templários.

GAMEPLAY

No quesito de gameplay só há elogios para a Ubisoft. Apesar de ainda ser um combate um tanto quanto fácil, assim como no original, mesmo jogando na dificuldade difícil que foi a que eu escolhi, o jogo ainda possui um combate extremamente satisfatório e viciante, onde mesclaram um pouco do combate antigo, podendo dar parrys e ir desencadeando ataques mortais nos inimigos, com um pouco de combate dos novos, mas de forma muito menos exagerada, onde o inimigo não é como uma parede de porrada, se tornando bem mais divertido e menos maçante.

O stealth também não fica para trás. Nos ACs antigos, até a chegada do Unity, possuíam um stealth simples até demais, não podendo nem mesmo agachar, onde só se era possível agachar quando estava em uma folhagem. Aqui, em Black Flag Resynced, mudaram isso totalmente, com uma gameplay muito mais livre e ágil, onde podemos agachar o tempo que quisermos, com os cenários reconstituídos de forma que se adaptam à essa mecânica. Possuímos também os mesmos gadgets apresentados no original, sendo a zarabatana e o gancho com corda, mudando totalmente o stealth do jogo, o tornando infinitamente mais prazeroso e divertido, usando a zarabatana com sonífero para neutralizar o inimigo por um tempo, ou então com dardo ensandecido, pra fazer o inimigo atacar os próprios aliados, e usando a gorda para enforcar o inimigo de forma silênciosa quando está em cima de um galho de árvore, assim, não precisando sair de sua atual posição para matá-lo.

O mais importante da gameplay do jogo, é, sem duvidas o seu parkour, onde apesar de não ter tido muitas diferenças do original, contendo praticamente os mesmos movimentos, se tornou muito mais simples, porém, ainda satisfatório. O jogo agora, ao invés de segurarmos R2/RT para poder correr e então X/A para subir em alguma plataforma, agora só corremos pra frente com o analógico esquerdo e seguramos o botão de pular.

Assassin’s Creed Black Flag é de longe um dos mais diferentes da série, não só pelo fato de que agora nós não controlamos um assassino, mas sim um pirata, mas como também nós podemos até mesmo controlar um navio, não só explorando os mares do Caribe com ele, mas também, enfrentando vários outros navios, onde nos é apresentado um combate extremamente satisfatório, bem polido e extremamente bem fluído, contendo vários tipos de navios inimigos pra enfrentarmos, onde ao derrotarmos, devemos embarcá-los para derrotarmos os inimigos presentes e aí sim destruir o navio por completo.

EXPLORAÇÃO

Uma das maiores qualidades nos jogos da Ubisoft, até mesmo nos últimos, é sua precisão geográfica, trazendo jogos extremamente lindos onde se está sendo situado, e em Black Flag Resynced, assim como no original, não é diferente. Como dito anteriormente, somos introduzidos ao Caribe, podendo explorar uma área gigantesca, tanto a navio, quanto a pé. A exploração naval não se tem nem o que comentar, é simplesmente incrível. O céu, o mar, tudo está extremamente lindo, e explorar os mares enquanto escuta sua tripulação cantar é uma das experiências mais divertidas de toda a franquia. Entretanto, onde brilham na exploração naval, eles, na minha opinião, pecam na exploração a pé, onde cometem o mesmo erro do jogo original: Apesar de haver ilhas enormes, exploramos apenas uma pequeníssima fração delas. Quando o jogo foi anunciado, uma das minhas primeiras expectativas fossem que eles pudessem expandir tais áreas, já que cerca de 70 – 80% de terra do jogo não podemos andar, mas que, infelizmente, acabei saindo um tanto decepcionado nesse quesito. Pelo menos, do tanto que podemos andar, os cenários estão extremamente lindos, bem detalhados e com uma vegetação e fauna própria espetacular.

O jogo contém alguns elementos de RPG, como, por exemplo, explorar todo o mapa do jogo para irmos em busca de suprimentos para melhorarmos nosso personagem, e principalmente, nosso navio, mas que, mesmo sendo algo demorado, levando horas e horas pra explorar tudo, o jogo faz isso de uma forma muito bem feita, com um mapa incrivelmente belo de se explorar.

Acho interessante deixar um espaço para os minigames, nas quais já temos desde o jogo original. Aqui temos tanto o arpoamento, quanto o mergulho. O arpoamento serve para podermos arpoar algum animal aquático, como baleias e tubarões, para pegarmos a sua pele para vender ou melhorar nosso equipamentos, mas que, infelizmente, o jogo nos dá uma leva muito pequena de seres marinhos pra isso, sendo limitado somente a: tubarão cabeça de martelo, tubarão touro, tubarão branco, baleia, baleia jubarte e orca.
Porém, acaba compensando e muito no mergulho, onde, com um sino, nós descemos até o fundo do mar com o objetivo de explorar naufrágios de velhos navios, onde temos que, com cuidado para não sermos pegos por tubarões, se escondendo no meio de cardumes e/ou de algas, saqueando toda a região e pegando diagramas para o nível máximo de algum equipamento do nosso navio.
Mas, o que mais encanta no mergulho, é sem sombra de dúvidas sua beleza, onde foi totalmente remodelada do original, com alguns sendo um ponto mais obscuro do mar, com pouco iluminação, ou então um local extremamente claro, com uma água muito clara e bonita.

GRÁFICO E DESEMPENHO

Assassin’s Creed Resynced nos entrega um jogo simplesmente e extremamente perfeito graficamente falando, com uma iluminação e textura extremamente bem feito e característico, tanto na vegetação de suas florestas como também na vegetação aquática. Entretanto, o jogo tende a decepcionar um pouco no desempenho. Joguei o jogo no PS5 base, onde presenciei um crash e em quase toda cutscene, o desempenho caía pra menos de 30 FPS, em alguns momentos, mas voltando logo em seguida.

Thales Buscatto

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