Call of Duty: Modern Warfare 4 – Preview

A beta online de Call of Duty: Modern Warfare 4 me deixou com uma impressão bem melhor do que eu esperava. Depois de alguns anos em que a franquia pareceu cada vez mais preocupada em adicionar novidades só para dizer que estava fazendo algo diferente, aqui finalmente existe a sensação de que a série encontrou um equilíbrio. O jogo continua rápido, agressivo e extremamente acessível, mas agora parece ter um pouco mais de intenção por trás de cada escolha.

E isso fica claro logo nos primeiros minutos.

A interface, por exemplo, foi completamente reorganizada. Em vez daquela quantidade quase exagerada de abas e menus horizontais, agora temos uma navegação lateral muito mais limpa. Trocar de operador, ajustar uma classe ou simplesmente procurar uma partida ficou mais rápido e intuitivo. Parece uma mudança pequena, mas é justamente esse tipo de detalhe que faz o jogo parecer mais bem resolvido.

Mas é na movimentação que Modern Warfare 4 realmente mostra sua identidade.

A remoção do sistema de movimentação omnidirecional do jogo anterior foi uma decisão que, pelo menos nessa beta, me pareceu acertada. O personagem continua extremamente rápido, mas os movimentos parecem mais naturais e previsíveis. Dá para pular uma cobertura, emendar um deslize e continuar avançando sem aquela sensação de estar brigando com os controles.

Também é possível olhar para os lados enquanto escala uma posição e até deslizar de barriga para cima para surpreender alguém que esteja esperando o confronto de outra forma. O slide continua sendo uma das principais ferramentas para quem gosta de jogar agressivamente, mas agora a aceleração parece mais controlada. O resultado são trocas de tiro que ainda são rápidas, mas um pouco menos caóticas.

Até o famoso jump shot voltou a funcionar de uma maneira que considero interessante. Ele continua sendo uma opção para quem gosta de avançar atirando, mas não parece destruir completamente a precisão das armas.

O problema é que toda essa velocidade tem um preço.

Em determinados momentos, Modern Warfare 4 chega a ser cansativo de acompanhar. É tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo que algumas partidas parecem mais um teste de reflexos do que uma disputa de posicionamento. Você pisca, alguém desliza pela sua frente, outro jogador aparece por trás, uma explosão acontece e, quando percebe, já está de volta no respawn. Para quem gosta desse ritmo, provavelmente é perfeito. Mas eu ainda acho que existe uma linha tênue entre um jogo rápido e um jogo simplesmente frenético demais.

A dinâmica dos objetivos também me agradou bastante. O jogo voltou a dar um motivo real para disputar as áreas do mapa, já que capturar ou defender posições contribui para a progressão das recompensas praticamente da mesma maneira que conseguir eliminações.

Parece básico, mas faz uma diferença enorme.

Em vez de cada jogador simplesmente correr atrás do próprio placar, existe um incentivo maior para permanecer junto da equipe e realmente disputar a partida. E isso funciona especialmente bem nos novos modos.

O meu destaque fica para o Kill Block, que utiliza partes de mapas clássicos como Crash, Highrise e Shoot House para montar arenas diferentes a cada rodada. A ideia é simples, mas funciona muito bem para um modo focado em confrontos rápidos. É praticamente uma grande homenagem à própria história de Modern Warfare, só que sem depender exclusivamente da nostalgia.

O tiroteio, por sua vez, continua sendo um dos pontos mais fortes.

As armas têm uma resposta muito boa e a visão durante os disparos está consideravelmente mais limpa, principalmente por não transformar cada confronto em uma nuvem de fumaça. O tiro livre de curta distância também funciona muito bem. Com um laser equipado, por exemplo, você realmente sente que está apontando a arma para onde pretende acertar.

Nem tudo está perfeito, obviamente.

O som dos passos está alto demais. Em algumas situações, parece que o jogo está praticamente entregando a posição do adversário de bandeja. Se você não estiver usando alguma vantagem para reduzir o ruído, alguém de fone consegue ouvir sua aproximação com bastante antecedência.

Os pontos de respawn também precisam de ajustes. Principalmente nos mapas menores, ainda acontece de você aparecer praticamente na frente de um adversário. E não existe muita coisa mais frustrante em Call of Duty do que morrer antes mesmo de entender de onde veio o tiro.

Ainda assim, o que mais impressiona nessa beta é a quantidade de conteúdo disponível.

Além dos modos tradicionais e das partidas de maior escala com veículos, o teste ainda trouxe uma missão completa da campanha, focada na invasão de uma usina. É uma maneira interessante de mostrar que a Activision não está tratando essa fase apenas como um aperitivo do multiplayer, mas como uma demonstração mais ampla do que o jogo pretende entregar.

Depois de experimentar a beta, minha sensação é que Modern Warfare 4 não está tentando reinventar Call of Duty. E, sinceramente, talvez seja justamente isso que esteja funcionando.

Em vez de empilhar uma novidade em cima da outra, o jogo parece estar tentando pegar aquilo que já funciona e fazer tudo funcionar um pouco melhor. A movimentação é rápida, o tiroteio é preciso, os objetivos têm mais importância e existe uma quantidade considerável de conteúdo mesmo antes do lançamento.

Ainda existem problemas que precisam ser corrigidos, principalmente nos respawns, no áudio dos passos e nesse ritmo que, em alguns momentos, chega perto do exagero.

Mas, se a versão final conseguir manter esse equilíbrio, Modern Warfare 4 pode ser um dos Call of Duty mais interessantes dos últimos anos. Não porque trouxe alguma revolução, mas porque finalmente parece entender que, às vezes, o melhor caminho para a franquia é simplesmente voltar a fazer o básico muito bem feito.

Igor Feanor Borges

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