Depois de mais de um 2 meses após seu lançamento, Crimson Desert me mostrou que é um jogo com várias camadas e com misturas de mecânicas interessantes mas que podem não agradar alguns.
Lá em 2019, quando o jogo foi anunciado pela primeira vez, eu já estava com um hype bem grande para esse jogo, ainda mais porque quem estava fazendo o jogo era ninguém menos que a Pearl Abbys, a desenvolvedora sul-coreana responsável pelo Black Desert Online, um MMORPG que na época eu era bem viciado. Depois de ver o trailer, meus olhos ficaram cheios de lagrimas de tanta empolgação e eu queria colocar as mãos nesse jogo o quanto antes, até que vários e vários adiamentos estavam acontecendo e eu simplesmente ia perdendo a empolgação conforme os anos foram se passando. Eu realmente achei que em algum momento o jogo seria cancelado, mas o rumo que o jogo estava tomando, era diferente daquilo que eu vi pela primeira vez em 2019. A decisão inicial da Pearl Abbys era fazer um MMORPG que se passa antes de Black Desert mas isso foi mudado e Crimson Desert seria um jogo single-player, o que, particularmente eu gostei bastante, afinal, eu já não tenho mais todo o tempo que eu tinha em 2019 para alimentar um MMORPG.
Finalmente, depois de 6 anos desde seu primeiro anúncio, o jogo foi lançado e eu tive uma surpresa quando joguei.
História não é o foco em Pywel
Logo quando você inicia o jogo, não há uma “introdução” tradicional. Você começa como se já estivesse fazendo algo antes mesmo de iniciá-lo e, a partir daí, vai descobrindo mais sobre o mundo, os personagens e a história que, sinceramente, não é tão aprofundada. É visível que esse não é o foco do jogo; tanto que o próprio estúdio deixou isso claro em seu marketing, focando mais na gameplay e na exploração do que na história em si.
Isso pode ser uma decepção para alguns, visto que seu “irmão mais velho”, Black Desert, possui uma história bem interessante. Por isso, eu estava esperando algo próximo desse nível.

Na história, você acompanha Kliff, líder de um grupo de mercenários. Diferente dos heróis clássicos, ele é um personagem marcado por erros do passado, tentando sobreviver enquanto carrega culpa e responsabilidades.
O mundo de Pywel está em caos, com várias facções, reinos e líderes disputando poder, e os mercenários, como o grupo de Kliff, acabam no meio desse conflito, aceitando contratos que nem sempre são moralmente claros. A história não é totalmente linear, pois, ao longo do jogo, você encontra eventos paralelos, personagens com suas próprias motivações e decisões que moldam o rumo da jornada.
Fica bem claro que a história está ali apenas para conduzir o jogador até os créditos finais, já que ela não é tão importante assim. Inclusive, depois de terminar o capítulo 1, você pode simplesmente fazer o que quiser no jogo.
Combate divertido e aprofundado
O combate de Crimson Desert é divertido e oferece muita liberdade para o jogador fazer o que quiser. Você pode usar um arsenal variado de armas, realizar ataques aéreos, dar socos, utilizar uma espécie de “luva” que permite agarrões, usar magias e muito mais. É um jogo que proporciona uma enorme liberdade para você escolher o estilo de gameplay que preferir, sem muitas limitações.
No entanto, toda essa liberdade tem um preço: a barra de estamina. Cada ação realizada, tanto em combate quanto fora dele — como escalar estruturas —, consome stamina. Por isso, é importante ficar de olho nela para não acabar exausto nos momentos mais importantes. Como referência, o sistema funciona de maneira semelhante ao de The Legend of Zelda: Breath of the Wild.

O jogo também apresenta uma enorme árvore de habilidades. O sistema de progressão funciona de forma diferente da de um RPG tradicional — até porque Crimson Desert nem é um RPG. Por conta disso, a progressão é baseada nos Artefatos do Abismo, que podem ser obtidos ao derrotar chefes, explorar o mapa, completar missões, resolver puzzles e muito mais.
Particularmente, gostei bastante do combate do jogo e não tenho muitas reclamações. Devido à variedade de estilos de combate, a gameplay não se torna enjoativa rapidamente, e as diferentes possibilidades oferecidas pelo jogo despertam ainda mais curiosidade para testar novas estratégias e combinações.
Agora, uma coisa que achei um pouco desapontadora foi o fato de o jogo apresentar os dois novos personagens jogáveis relativamente tarde: Damiane e Oongka. Embora a gameplay de ambos seja muito divertida, depois de passar tantas horas jogando com Kliff, eu não me senti tão incentivado a utilizar os outros dois personagens.
Exploração vasta e sensacional
A exploração de Crimson Desert é, sem dúvida, um dos pontos mais altos do jogo. Não é à toa que você provavelmente gastará boas centenas de horas explorando o mundo em vez de seguir diretamente a história principal.
A Pearl Abyss conseguiu criar um mundo aberto vasto e insanamente grande, tornando sua exploração algo praticamente impecável. Você realmente se perde explorando o mapa sem perceber quantas horas já passaram. O melhor de tudo é que o jogo não “pega na sua mão” o tempo todo para te guiar; em vez disso, ele permite que você mergulhe completamente naquele universo, fazendo com que a jornada pelo Deserto Carmesim seja conduzida por você e pelo seu personagem de forma natural e imersiva.

Eu diria para você pensar em Red Dead Redemption 2: um mundo aberto enorme, cheio de eventos aleatórios que despertam constantemente a curiosidade para descobrir o que vai acontecer a seguir. Crimson Desert teve inspiração no Velho Oeste apresentado pela Rockstar Games, tanto que até o mapa do jogo possui um estilo semelhante. Basta abrir o mapa de Crimson Desert e compará-lo com o de Red Dead Redemption 2 para perceber que os ícones e a estrutura visual têm várias semelhanças.
Então, se você for jogar, lembre-se de explorar até a última grama do cenário. Você provavelmente não vai se arrepender. Como mencionei anteriormente, a exploração recompensa o jogador com os Artefatos do Abismo, que são responsáveis pela progressão da árvore de habilidades.
Imersão em Pywel
Em Crimson Desert, a imersão é algo realmente impressionante. Além de batalhas épicas e algumas um pouco cansativas, o jogo oferece diversas atividades paralelas, como cortar o cabelo, participar de minigames e, talvez o melhor de tudo, adotar VÁRIOS bichinhos, sejam gatos, cachorros ou até animais mais… diferenciados.
Além disso, também é possível cortar árvores, minerar recursos e construir acampamentos. Claro, o sistema de construção não é tão aprofundado, mas ainda permite melhorar estruturas, utilizar bases e criar armas e equipamentos.
Como disse um dos desenvolvedores do jogo, tudo o que eles achavam interessante acabou sendo adicionado ao projeto. Isso pode ser visto tanto como algo positivo quanto negativo — tudo depende da perspectiva de cada jogador.

Acredito que isso enriqueça ainda mais a experiência do jogador, mas o excesso de mecânicas também pode acabar tornando o jogo enfadonho. Então, no fim das contas, essa é uma questão que varia bastante de jogador para jogador. No meu caso, achei tudo isso muito interessante, principalmente porque o jogo possui um sistema de receitas que concede bônus de status ao personagem, permitindo que você cozinhe praticamente o que quiser.
Além disso, há também um sistema de banco e, mesmo sem possuir um sistema de honra como o de Red Dead Redemption 2, o jogo permite que você seja preso caso cometa atos de vandalismo, além da possibilidade de colocarem uma recompensa pela sua cabeça. Foi justamente nesse momento que pensei: “Ok, estou realmente jogando um jogo que quer que eu viva dentro daquele mundo.”
Trilha sonora interessante
A trilha sonora de Crimson Desert é realmente muito boa. As músicas de batalha, para mim, são as melhores; inclusive, estive ouvindo algumas delas enquanto estive escrevendo esta review.
Devido ao enorme escopo do jogo, ele possui uma grande variedade de faixas sonoras e, embora muitas delas não sejam exatamente memoráveis, cumprem muito bem o papel de trilha para um jogo de fantasia medieval.
Gráficos e otimização
Joguei Crimson Desert no PlayStation 5 Pro, utilizando toda a capacidade do console com o PSSR 2.0. Devo dizer que o jogo é extremamente bonito, e as atualizações que ele recebeu ao longo do tempo só melhoraram ainda mais a qualidade gráfica, deixando tudo mais nítido.
A engine própria da Pearl Abyss realmente fez mágica ao conseguir manter um mundo aberto gigante, cheio de detalhes e atividades, ao mesmo tempo em que entrega gráficos de nova geração.
Porém, a otimização apresentou algumas inconsistências durante minha jogatina. Em momentos mais exigentes, houve quedas de quadros por segundo e, em situações com muitos inimigos na tela, também era possível perceber certa instabilidade no desempenho. Ainda assim, nada que realmente comprometa a experiência no longo prazo.
Atualizações constantes
Enquanto estava escrevendo esta review, a Pearl Abyss lançou vários patches para corrigir e melhorar Crimson Desert, e isso me leva ao principal ponto das críticas que tenho em relação ao jogo: os controles.
Crimson Desert possui diversas mecânicas que utilizam combinações de botões e, no lançamento, demorei um pouco para me acostumar com a gameplay justamente por conta de comandos um tanto inconvenientes. Além disso, a tradução para o português não é tão precisa quanto deveria. Em algumas missões, por exemplo, a tradução deixava certas instruções vagas, enquanto a versão em inglês explicava tudo de maneira bem mais clara. Isso me fez questionar se houve, de fato, uma revisão cuidadosa da localização do jogo.
Não sei dizer se os patches já melhoraram a tradução, mas os controles certamente ficaram mais intuitivos e “digestíveis” com as atualizações recentes.
Fico feliz em ver a Pearl Abyss tem trabalhado para corrigir os problemas do jogo, mas as notas de atualização extremamente grandes — recheadas de melhorias significativas — deixam evidente que Crimson Desert talvez precisasse de mais tempo de desenvolvimento, apesar dos vários adiamentos que já recebeu. Muitas dessas melhorias e adições poderiam, estar presentes desde o lançamento.
Conclusão
Crimson Desert é um jogo com altos e baixos. Como alguém que jogou Black Desert por muito tempo, acabei gostando dele e me familiarizando rapidamente com sua proposta, seja pelo vasto mundo aberto, pelos controles um pouco complexos ou pela exploração que realmente merece aplausos.
A Pearl Abyss fez um ótimo trabalho ao oferecer liberdade ao jogador, permitindo que cada pessoa decida como utilizar suas habilidades para alcançar a vitória no campo de batalha.
No entanto, não é um jogo que eu recomendaria para quem já está saturado de mundos abertos recheados de atividades. Ao mesmo tempo em que Crimson Desert brilha em sua exploração, ele também tropeça em missões pouco empolgantes e nem sempre envolventes.
No fim, Crimson Desert quis ser “um pouco de tudo” e, embora consiga entregar essa variedade, também deixa claro que nem todos os jogadores vão se interessar por essa proposta.
