O encerramento da BioWare, anunciado recentemente pela Electronic Arts (EA), teria sido motivado principalmente pela decisão de concentrar investimentos em um novo jogo da franquia Star Wars Battlefront. A informação foi divulgada por Jason Schreier, da Bloomberg, que aponta uma oportunidade de parceria com a Lucasfilm como um dos principais fatores por trás do fechamento do estúdio responsável por Mass Effect e Dragon Age.

Segundo fontes familiarizadas com a estratégia da empresa, a Electronic Arts avaliava dois grandes projetos de ficção científica, ambos com orçamentos estimados em centenas de milhões de dólares: Star Wars Battlefront III e o próximo jogo da franquia Mass Effect. Diante da necessidade de reduzir custos e concentrar recursos, a editora teria optado por investir no projeto de Star Wars, considerado uma aposta comercial mais previsível.

A decisão também estaria relacionada à situação financeira da EA após a conclusão de uma aquisição alavancada de US$ 55 bilhões, liderada por um fundo de investimentos da Arábia Saudita, em agosto de 2026. A operação deixou a empresa com aproximadamente US$ 18 bilhões em dívidas, aumentando a pressão para revisar seus investimentos e priorizar franquias com maior potencial de retorno.

De acordo com a reportagem, Star Wars Battlefront III ainda não havia iniciado seu desenvolvimento, mas a empresa enxergava a franquia como uma oportunidade menos arriscada do que produzir um novo Mass Effect. A preferência também estaria relacionada ao histórico da EA com jogos de ação e tiro, gênero no qual a editora possui maior experiência.

Desempenho comercial de Dragon Age também pesou na decisão

Embora a escolha pelo novo projeto de Star Wars seja apontada como o principal fator, o histórico recente da BioWare também contribuiu para o encerramento do estúdio.

Nos últimos anos, a desenvolvedora enfrentou dificuldades com alguns de seus principais lançamentos. Mass Effect: Andromeda, de 2017, recebeu críticas por problemas técnicos e animações faciais. Dois anos depois, Anthem chegou ao mercado com problemas de progressão e conteúdo, sendo posteriormente descontinuado.

O lançamento mais recente do estúdio, Dragon Age: The Veilguard, chegou em 2024 com uma recepção crítica relativamente positiva, mas não conseguiu alcançar as expectativas comerciais da Electronic Arts. Segundo a Bloomberg, o jogo vendeu aproximadamente 50% menos do que a empresa esperava.

Os três projetos também compartilharam dificuldades durante o desenvolvimento, incluindo mudanças na direção, problemas com a utilização da engine Frostbite e alterações frequentes nas decisões criativas. A reportagem também destaca o chamado método “BioWare Magic”, uma filosofia de desenvolvimento que apostava na resolução de problemas durante as etapas finais da produção, frequentemente exigindo longas jornadas de trabalho.

No caso de The Veilguard, o projeto ainda teria passado por diferentes mudanças de direção, incluindo uma transição de experiência single-player para multiplayer antes de retornar à proposta original.

BioWare já havia perdido grande parte de sua equipe

Em janeiro de 2025, a Electronic Arts realizou cortes de funcionários na BioWare e transferiu parte de seus profissionais para outras equipes da empresa. Com isso, apenas um grupo reduzido permaneceu dedicado ao próximo Mass Effect.

O novo capítulo da franquia havia sido anunciado em 2020, mas ainda estava em pré-produção. Parte da equipe responsável pelo projeto havia interrompido seu desenvolvimento durante aproximadamente dois anos para trabalhar em Dragon Age: The Veilguard.

Em outubro de 2026, a Bloomberg revelou que a EA estava realizando novos cortes, que atingiriam aproximadamente 400 funcionários, incluindo cerca de 50 profissionais da BioWare. Naquele momento, restavam apenas 50 pessoas no estúdio, que acabou sendo encerrado na semana seguinte.

A reportagem também aponta possíveis mudanças na política interna da Electronic Arts como outro elemento que pode ter influenciado a decisão. Durante o verão de 2026, a empresa reorganizou sua liderança executiva, promovendo David Tinson e Cam Weber, enquanto Laura Miele, que comandava os estúdios da EA e defendia os projetos da BioWare e Mass Effect, perdeu espaço na estrutura da companhia.

Questionada sobre o encerramento, a Electronic Arts afirmou que a decisão foi tomada após meses de planejamento, avaliações e análises das condições comerciais, das mudanças na indústria e das prioridades de longo prazo da empresa. A companhia, entretanto, não comentou especificamente a possível relação com o desenvolvimento de um novo Battlefront.

O futuro de Mass Effect permanece incerto

O fechamento da BioWare também deixa dúvidas sobre o futuro de Mass Effect, especialmente porque o próximo jogo ainda estava em uma fase inicial de desenvolvimento. A EA não demonstrou intenção de abandonar completamente a propriedade intelectual e continua trabalhando em uma série de televisão baseada na franquia, em desenvolvimento pela Amazon.

O caso também reflete um cenário mais amplo da indústria de jogos, marcado pelo aumento dos custos de produção, orçamentos cada vez maiores e dificuldades para acompanhar esse crescimento com as vendas. Nos últimos anos, diversas empresas passaram a reduzir equipes, reorganizar estúdios e concentrar investimentos em propriedades intelectuais consideradas mais rentáveis.

Segundo a apuração da Bloomberg, a combinação desses fatores, somada à oportunidade de investir em Star Wars Battlefront III, acabou contribuindo para o fim de um dos estúdios mais conhecidos do gênero RPG.

Fonte: Bloomberg