Exclusivo: Ex-Veterano da Sony Revela o Futuro dos Jogos Digitais e o Fracasso do PlayStation Stars

A discussão sobre jogos digitais explodiu nas últimas semanas, e não foi por um motivo positivo. A Sony anunciou que vai parar de fabricar discos físicos para novos jogos de PlayStation a partir de janeiro de 2028, acendendo um debate acalorado em toda a indústria.

Para entender melhor o que isso significa, conversei com Gordon Thornton, veterano da Sony Interactive Entertainment com quase 18 anos de casa (saiu em 2022). Ele foi SVP responsável pelo negócio direto ao consumidor da PlayStation e liderou o crescimento da PlayStation Store, que hoje fatura bilhões por ano.

O fracasso do PlayStation Stars e o futuro dos programas de fidelidade

Uma das primeiras perguntas que fiz foi sobre o fim do PlayStation Stars, que será descontinuado ainda este ano. Thornton citou o exemplo recente do GTA 6 Ultimate Edition, que alguém conseguiu pré-comprar apenas com pontos do Microsoft Rewards:

“O Microsoft Rewards mostra o poder de um programa de fidelidade bem feito, com troca de valor real entre a empresa e o jogador. O PlayStation Stars fracassou porque não alinhou corretamente os comportamentos dos jogadores com os incentivos certos.”

Agora Chief Commercial Officer da ZBD (empresa de soluções de pagamento para games), Thornton defende que o verdadeiro valor vem de recompensas conectadas diretamente às mecânicas do jogo. Quando isso é feito direito, os resultados são impressionantes: em um projeto com a TapNation, a retenção subiu 142% em duas semanas e o ARPU (receita média por usuário ativo diário) aumentou 44,4%.

Ele critica o “efeito cópia” da indústria: a maioria dos programas simplesmente replica fórmulas sem inovação. O futuro, segundo ele, está em recompensas em dinheiro real integradas ao gameplay, transformando o jogador em um participante investido no sucesso do jogo.

Discos vão acabar: Sony já domina o mercado digital

Sobre o fim da produção de discos físicos, Thornton foi direto: a PlayStation Store já domina 80-85% do mercado. As vendas físicas só competem na janela de lançamento. Depois de 90 dias, o digital praticamente monopoliza o catálogo.

Quanto às acusações de monopólio e preços abusivos, ele explica:

“A Sony trabalha no modelo de buy/sell, onde o publisher define o preço sugerido. A Sony não controla os preços, por isso não é price fixing.”

Thornton reconhece a resistência da comunidade “anti-digital”, mas acredita que ela está diminuindo naturalmente. Com promoções frequentes, vendas online e o hábito de jogar conectado, o digital se tornou mais atrativo que o compartilhamento de discos físicos.

Por que jogos digitais não são mais baratos?

Muitos esperavam que, sem custos de fabricação e distribuição, os jogos digitais fossem mais em conta. Thornton explicou que as editoras nunca trabalharam com modelo “cost-plus” (preço baseado no custo de produção). Elas buscam maximizar receita de todas as formas, inclusive com loops de valor sustentável dentro do jogo, para manter o preço final estável, seja físico ou digital.


Conclusão Segundo Thornton, o futuro totalmente digital é inevitável. A questão não é mais “se” vai acontecer, mas como as empresas vão criar programas de fidelidade e experiências que realmente valorizem o tempo e o dinheiro dos jogadores.

Fonte: Insider Gaming

Igor Feanor Borges

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