A Microsoft colocou Asha Sharma, de 38 anos, no comando do Xbox em fevereiro para tentar reverter a situação da divisão. Sem experiência anterior no mercado de games, ela substituiu Phil Spencer e já começou a fazer mudanças profundas em um negócio de cerca de US$ 21 bilhões que inclui hardware, estúdios e milhares de títulos.
Situação do Xbox
O Xbox está com finanças comprometidas e market share bem abaixo dos anos de pico. Consoles da geração atual venderam pouco mais de um terço do volume do PlayStation 5, segundo estimativas. A margem de lucro da divisão gira em torno de 3%, bem abaixo do padrão da Microsoft e dos concorrentes. A aquisição da Activision Blizzard por US$ 69 bilhões aumentou a complexidade e a pressão por resultados.
Ex-funcionários apontam problemas como a canibalização de vendas de jogos first-party pelo Game Pass, falta de foco no console (que ainda representa cerca de 80% do negócio) e menos exclusivos do que PlayStation e Nintendo.
Plano de Sharma
Sharma tem sido direta sobre o desempenho ruim e já cortou milhares de funcionários. O plano inclui reduzir o headcount em 3.200 pessoas ao longo do próximo ano, com novas ondas de demissões previstas para este mês, novembro e janeiro. Ela está consolidando estúdios menores, concentrando recursos nas maiores franquias e grupos de publicação (incluindo Blizzard) e reimaginando marketing, vendas e a stack tecnológica.
Entre as mudanças planejadas:
- Reforma grande do Game Pass, com modelo à la carte e tiers (incluindo add-ons para jogos exclusivos de console, cloud gaming e multiplayer).
- Handheld de próxima geração para o final de 2027.
- Novo console (Project Helix) para o final de 2028.
- Mais jogos exclusivos de plataforma.
- Criação de uma área focada em oportunidades comerciais de grandes franquias, como Minecraft (com meta de competir mais com o Roblox).
Internamente, o preço do console Project Helix está projetado entre US$ 1.200 e US$ 1.800 para o consumidor final, a menos que a Microsoft decida subsidiar parte do valor. Esse valor alto é visto como um desafio, especialmente com a concorrência de smartphones, PCs e plataformas como Roblox entre as gerações mais novas.
Ela também mudou o lema interno para “Great games; return of Xbox; future of play” e tem usado redes sociais de forma ativa para comunicar a visão.
Dúvidas sobre o futuro
Há especulações internas e externas de que o Xbox pode estar sendo preparado para venda, spin-off ou investimento externo. E-mails de funcionários mudaram de microsoft.com para xbox.com e a divisão deixou de se chamar Microsoft Gaming. Judson Althoff, executivo sênior da Microsoft, afirmou que a empresa não colocaria Sharma em um negócio que pretende vender, mas o foco intenso da companhia em IA levanta dúvidas sobre o compromisso de longo prazo com games.
Sharma afirma que o objetivo é fazer do Xbox a maior empresa de entretenimento e que espera melhorias financeiras a partir do ano fiscal de 2027. Ela não deu prazo para quanto tempo pretende ficar no cargo.
Fonte: Fortune



