Sony patenteia controle de PlayStation sem botões físicos; tecnologia usa sensores ópticos e tela tátil adaptável

A patente, intitulada “Devices and Methods for a Game Controller”, propõe um controle cuja superfície é composta por sensores de entrada adaptáveis, capazes de detectar toques, pressões, deslizes, pinças e até mesmo a aproximação dos dedos antes do contato efetivo com a superfície.

Diferentemente dos controles convencionais que possuem botões, direcionais e analógicos em posições fixas, o design patenteado pela Sony utiliza sensores ópticos (microcâmeras) posicionados internamente, que monitoram os movimentos dos dedos do jogador através de uma superfície opticamente transmissível. Esses sensores são combinados com sensores de pressão e temperatura, permitindo distinguir uma intenção genuína de pressionar um botão de um simples descanso dos dedos sobre a superfície.

“O controle pode detectar a pressão do seu dedo antes mesmo de ele tocar a superfície. O ‘pré-toque’ (pretouch) é definido como uma entrada que se aproxima de pelo menos uma região da superfície de entrada”.

Personalização total: botões que se adaptam ao jogador

Um dos diferenciais centrais da tecnologia é a capacidade de personalização dinâmica. O jogador pode reposicionar os botões virtuais, o direcional e os analógicos na superfície tátil conforme sua preferência. Isso inclui:

  • Ajuste para diferentes tamanhos de mão: a patente argumenta que “uma disposição fixa pode ser muito pequena, ou muito grande, para um usuário”;
  • Espelhamento para canhotos: é possível inverter a posição do direcional e dos botões de ação;
  • Adaptação por gênero de jogo: jogos de RPG podem ter mais botões visíveis, enquanto jogos mais simples podem ocultar elementos desnecessários;
  • Reconhecimento de usuário: o controle pode identificar diferentes jogadores por meio de impressão digital ou características da mão e carregar automaticamente suas configurações.

A superfície pode exibir pontos de referência iluminados para indicar a localização dos controles virtuais, além de oferecer feedback háptico e superfícies deformáveis que o jogador pode sentir ao tatear.

Sensores inteligentes contra entradas acidentais

Um dos maiores desafios dos controles totalmente táteis é a ocorrência de toques involuntários. A patente da Sony aborda essa questão com um sistema de sensores multicamadas:

  • Sensores ópticos rastreiam a posição e o movimento dos dedos em tempo real;
  • Sensores de pressão detectam a força aplicada;
  • Sensores de temperatura ajudam a diferenciar um dedo em repouso de uma entrada ativa;
  • O sistema pode empregar inteligência artificial para aprender os hábitos de cada usuário e reposicionar os botões virtualmente no local mais ergonômico.

Além disso, a tecnologia de pré-toque permite que o controle detecte a aproximação dos dedos e comece a processar a entrada antes mesmo do contato, reduzindo o tempo de resposta.

O que isso significa para o PlayStation 6?

Embora a patente tenha gerado especulações sobre o controle do PlayStation 6, é importante ressaltar que patentes não são garantia de produtos comerciais. A Sony depositou mais de 2.200 patentes apenas em 2025, e a vasta maioria nunca chega ao mercado.

Especialistas apontam que, se a tecnologia vier a ser implementada, é mais provável que apareça como um acessório premium (similar ao DualSense Edge) ou uma solução voltada para acessibilidade, complementando o controle tradicional em vez de substituí-lo.

“O uso mais realista para essa tecnologia não aponta necessariamente para uma revolução no hardware. Em vez disso, parece estar relacionado à exploração de possibilidades”.

A própria Sony já demonstrou compromisso com a acessibilidade por meio do PlayStation Access Controller para PS5, e um controle totalmente adaptável seria um avanço natural nessa direção.

O desafio da ausência de feedback físico

A principal crítica apontada por analistas e jogadores é a perda do feedback tátil proporcionado pelos botões físicos. Jogar jogos de ritmo acelerado em telas de smartphones já demonstra como a falta de referência tátil pode levar a erros de entrada.

A Sony tenta contornar essa limitação com pontos de referência luminosossuperfícies hápticas e elementos deformáveis, mas resta saber se essas soluções serão suficientes para convencer os jogadores mais tradicionais.

Conclusão: inovação ou experimento?

A patente US 12.533.573 B2 representa um olhar fascinante sobre o futuro que a Sony está considerando para seus controles. A tecnologia combina sensores ópticos, táteis, de pressão e temperatura com inteligência adaptativa para criar um dispositivo que se molda ao jogador, e não o contrário.

Por enquanto, trata-se de mais um experimento de P&D da gigante japonesa mas, se algum dia chegar às prateleiras, poderá redefinir completamente a maneira como interagimos com os videogames.

Fonte: United States Patent

Igor Feanor Borges

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