Star Fox – Review

Quando a Nintendo revelou o primeiro teaser de Star Fox para o Switch 2, a reação inicial foi de cautela. Depois de uma trajetória marcada por altos e baixos, especialmente após Star Fox Zero, a perspectiva de revisitar novamente a fórmula consagrada de Star Fox 64 parecia indicar apenas mais um remake apoiado na nostalgia.

No entanto, após acompanhar uma apresentação mais aprofundada e conhecer as principais novidades do projeto, ficou claro que a proposta vai além de uma simples atualização visual. O novo título utiliza a base clássica da série, mas introduz mudanças que buscam modernizar a experiência sem descaracterizar sua identidade.

Uma narrativa mais desenvolvida

Historicamente, a história nunca foi o principal atrativo de Star Fox. Os jogos sempre privilegiaram a ação, enquanto a narrativa servia apenas como pano de fundo para a jornada da equipe liderada por Fox McCloud.

Nesta nova versão, entretanto, há um esforço evidente para dar mais contexto aos acontecimentos do universo de Lylat.

O prólogo coloca o jogador no papel de James McCloud durante sua missão final, transformando um dos eventos mais importantes da cronologia da série em uma sequência jogável. Essa introdução estabelece melhor a relação entre pai e filho e confere um peso emocional maior à campanha principal.

Ao longo da aventura, as cenas cinematográficas foram ampliadas e exploram com mais profundidade os conflitos políticos entre os planetas do sistema Lylat, além de desenvolver melhor a personalidade dos integrantes da Star Fox e da equipe rival, Star Wolf.

Os diálogos continuam preservando o estilo característico da franquia, incluindo momentos propositalmente exagerados que fazem parte de sua identidade, mas agora convivem com passagens mais dramáticas que tornam os personagens mais convincentes.

Jogabilidade mantém a essência, mas evolui em aspectos importantes

A principal preocupação de qualquer novo Star Fox sempre foi preservar a excelente jogabilidade baseada em combates sobre trilhos (on-rails). Felizmente, essa estrutura permanece intacta.

O diferencial está no refinamento da experiência.

Os controles demonstram maior precisão, oferecendo respostas mais consistentes durante manobras rápidas, especialmente em movimentos clássicos como o famoso barrel roll. Essa sensação de controle mais apurado faz diferença principalmente nos momentos de maior intensidade.

Outro aspecto interessante é a forma como diferentes ambientes influenciam a pilotagem da Arwing. Atmosferas mais densas, regiões de baixa gravidade e cenários espaciais apresentam comportamentos distintos, tornando cada fase menos previsível e incentivando o jogador a adaptar sua forma de jogar.

Mesmo quem conhece os percursos clássicos encontrará desafios inéditos, já que diversos elementos foram reposicionados ou reformulados.

A verticalidade dos cenários também recebeu atenção especial. As fases deixam de ser corredores relativamente lineares para oferecer espaços mais amplos, com múltiplos níveis de combate, estruturas destrutíveis e caminhos alternativos que recompensam a exploração.

Tudo isso acontece mantendo uma apresentação visual bastante fluida, com desempenho consistente tanto no modo portátil quanto na dock.

Novidades que ampliam a longevidade

Talvez o maior mérito deste novo projeto esteja nas mudanças que efetivamente alteram a forma como cada campanha pode ser vivenciada.

As rotas alternativas ganharam muito mais importância. Determinadas ações durante uma missão, como cumprir objetivos específicos ou preservar membros da equipe podem alterar completamente os próximos estágios, introduzindo chefes inéditos e eventos diferentes. Esse sistema aumenta significativamente o fator de rejogabilidade.

Outro acréscimo relevante é a personalização da Arwing. Antes de cada missão, é possível configurar diferentes equipamentos, equilibrando poder ofensivo, velocidade, gerenciamento de calor e resistência. Essa liberdade permite adaptar a nave para cada tipo de desafio, acrescentando uma camada estratégica que não existia nos jogos anteriores.

As transformações entre Arwing, Landmaster e o modo bípede também acontecem de maneira mais natural, integradas ao fluxo do combate, sem interromper a ação.

A inteligência artificial dos companheiros representa outro avanço importante. Em vez de atuarem apenas como personagens de apoio, agora respondem a comandos táticos simples, permitindo definir prioridades durante as batalhas. Essa mudança torna a equipe muito mais útil e reforça a sensação de estar comandando um verdadeiro esquadrão.

Multiplayer reforça o espírito cooperativo

O conteúdo multiplayer também recebeu atenção.

Além de um modo Arena competitivo para partidas locais e online, a campanha pode ser jogada em cooperação, permitindo que dois jogadores dividam funções durante as missões.

Essa abordagem cria situações bastante dinâmicas e reforça uma característica que sempre esteve presente na filosofia da Nintendo: transformar experiências simples em momentos divertidos quando compartilhados com outras pessoas.

A interface para encontrar partidas ainda pode ser refinada, mas trata-se de um detalhe relativamente pequeno diante da quantidade de conteúdo oferecido.

Igor Feanor Borges

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