Após o grande sucesso de vendas e crítica de Disco Elysium, a ZA/UM finalmente lança seu mais recente jogo, Zero Parades: For Dead Spies.
Porém, apesar de Disco Elysium ser muito bem aclamado, os fãs ficaram com dúvidas sobre lançamento de Zero Parades, receosos com o jogo podendo ser um CNTRL C CNTRL V de seu “antecessor”, ainda mais com o fato do criador ter tido confusões com a ZA/UM, assim, saindo da empresa. Então, será que Zero Parades: For Dead Spies foi só uma tentativa falha de um novo estilo de jogo, ou conseguiu vingar e ser tão bom quanto seu jogo anterior?
CONSIDERAÇÕES INICIAIS
Antes de começarmos com a review, acho bom citar logo no começo que, infelizmente, o jogo não possui tradução em português, sendo assim, eu baixei um mod feito por fã. Todos os nomes eu irei usar como é descrito na tradução modificada, então, pode ser que ocorra algum erro caso uma tradução oficial seja disponibilizada futuramente.
HISTÓRIA
Em Zero Parades: For Dead Spies, nós controlamos Hershel Wilk, de pseudônimo CASCATA. Hershel trabalha como uma espiã para a inteligência do superbloco comunista, chamada de A Ópera, na qual atua na cidade fictícia denominada de Portofiro. Hershel criou um grupo chamado de Esquadrão Depravado, com mais seis espiões nas quais viraram seus amigos pessoais, sendo eles: Eszti Newitz (ESTOC), HOLOCENO (nome original não revelado), Karolina Hayato (KINDRED), Ramses Molloy (RADIAN), Tempo del Sur (TAXMAN) e Vespar Sondo (VIRTUDE).

Entretanto, no ano de 1991, o Esquadrão Depravado sofre uma terrível queda, com a identidade do grupo caindo nas mãos do Olho Lacrimoso, a policia secreta do país de La Luz. Porém, CASCATA conseguiu fugir, deixando pra trás seus amigos do Esquadrão, com alguns deles sendo vítimas do Olho Lacrimoso, sendo interrogados, torturados e em um caso, até morto. CASCATA, apesar de ter conseguido fugir, foi posta na geladeira pelos seus controladores, A Ópera, por 5 anos, até que então, um dia, no ano de 1996, ela acorda em um quarto de um hotel, sem saber como ou quando chegou ali, com a única informação sendo com que seu novo duplo, PSEUDÓPODE, necessitava de sua ajuda, então, naquele momento, Hershel percebeu uma coisa, CASCATA estava finalmente de volta ao jogo.
O jogo começa, assim como foi dito, com o jogador acordando em um quarto de hotel, com a protagonista não se lembrando do que aconteceu no dia anterior. Ao andarmos pelo quarto, podemos ver nosso parceiro, com o pseudônimo de PSEUDÓPODE, em um estado vegetativo, sentado em uma poltrona. Ao tentar acorda-lo, Hershel percebe que é como se seu parceiro simplesmente não existisse. Ele não está morto, mas é como se seu corpo estivesse sem alma. O que aconteceu com ele é a primeira coisa com o que o jogador deverá se preocupar, necessitando de explorar toda Portofiro em busca de informações sobre o paradeiro de seu duplo.
GAMEPLAY
A gameplay não é muito diferente do que já se foi apresentado em Disco Elysium, com seu principal objetivo sendo explorar a cidade e falar com outros personagens, apenas com algumas adições que podem trazer um desafio um tanto interessante. O jogo nos apresenta três barras, sendo elas de fadiga, ansiedade e delírio. Ao interagir com personagens ou tomar algumas ações, podemos acabar ativando uma das três barras, subindo de um até cinco pontos. O jogo possui três listas de habilidades que podemos melhorar, sendo cada uma referente à uma das barras. Ao adquirirmos 15 pontos de uma das três, consequentemente, estando com eles muito alto, nós perdemos vantagem naquela linha de ação, e ao alcançar um total de 20 pontos, o jogo nos obriga a excluir uma habilidade na qual foi comprada anteriormente, assim, voltando com a barra a estaca zero.

Com esse sistema extremamente interessante, que faz o jogador pensar com muita cautela em que dialogo ou ação tomar, o jogo nos apresenta também uma escolha de uma das três categorias, que se é possível ver qual a porcentagem de sucesso ao escolhe-la, e se for necessário, o jogador poderá sacrificar um pouco da sua barra para poder ter mais chances de êxito na escolha. Por exemplo: o jogador estará em uma situação que, para entrar em um quarto, será necessário pular por janela e quebrá-la, entretanto, ao dar a opção de pular, o jogo nos permite ver qual a chance de sucesso. Se a chance de sucesso for de, por exemplo, 30%, o jogador poderá amplificar o sucesso, podendo fazer com que a chance seja de 60%. Como a escolha fará o jogador fazer uma ação de movimento, ela se encaixará na linha de fadiga. Se o jogador preferir amplificar para aumentar seu êxito, será necessário sacrificar 5 pontos de fadiga, assim, aumentando a barra para que possa concluir com sucesso a escolha.
O jogo contém vários desse momento, fazendo o jogador pensar bem antes de tomar alguma decisão, o que torna bem interessante, já que sempre poderá acontecer algo extremamente curioso ao tomar tal atitude, assim, tornando cada linha de dialogo bem única.
O jogo também conta com diversos itens consumíveis, como cigarro, cerveja, energético, café, e cada consumível irá ou aumentar ou diminuir um dos três atributos. Ao fumar um cigarro, por exemplo, irá diminuir nosso delírio, mas irá aumentar a fadiga; ao beber um energético, irá diminuir a fadiga, mas aumentar a ansiedade, o que acaba sendo algo bem legal, e até um desafio, fazendo o jogador analisar qual consumível ele deverá usar, pra poder então tomar alguma decisão arriscada.

ESTÉTICA
Um detalhe bem interessante que acho que vale a pena ser comentado e elogiado, é a estética apresentada no game. Todas as artes, tanto dos personagens quanto das missões são totalmente estilizados, em um estilo próprio e único do jogo, trazendo uma característica muito própria. Todas as missões disponíveis são divididas por uma carta, e cada carta contém uma arte, com todas as artes sendo extremamente lindas e bem detalhadas.

EXPLORAÇÃO
Em Zero Parades nós jogamos pela cidade-estado de Portofiro, uma cidade que foi afundada pela miséria e vive das custas do banco EMTERR, uma das três grandes potências mundiais, junto do superbloco e de La Luz. Ao andarmos pelas ruas de Portofiro, podemos ver o quão decadente e deprimida a cidade está. Pessoas bêbadas por todos os lados, pobreza, melancolia, uma cidade que definitivamente parou décadas no tempo.

Portofiro conta com 6 distritos diferentes, sendo eles:
Colina dos Porcos: Um bairro localizado a leste, do outro lado da ponte em relação a Quisach.
Trato Capitular: Um silo de foguetes e centro espacial abandonado que originalmente era um distrito residencial.
Quisach: Um centro industrial à beira-mar e porto de navegação situado em um terreno de água, agora degradado e usado como centro para mercadorias contrabandeadas e contrabandeadas.
The Sunset: Um distrito sofisticado de apartamentos.
Vale de Suspiro: Uma área coberta de vegetação ao norte de Quisach, conhecida por sua população de javalis.
Santuário dos Criminosos de Guerra: Um parque no topo de uma montanha com monumentos aos líderes luzianos e santuários aos anjos.

