Nova expansão leva os jogadores à Azeroth ancestral, apresenta a mecânica Assemble e recupera figuras importantes da mitologia de Warcraft. A proposta é ampliar as possibilidades estratégicas do card game, embora seu impacto real dependa do equilíbrio entre as novas cartas.

Uma viagem ao passado de Azeroth

Hearthstone: Reign of the Black Empire é a expansão que encerra o Year of the Scarab e leva os jogadores a um dos períodos mais antigos da história de Azeroth. Ambientada há aproximadamente 10 mil anos, a aventura acontece em uma época na qual os Deuses Antigos exerciam seu domínio sobre o mundo, antes de serem derrotados e enfraquecidos pelos poderes que moldariam o universo conhecido pelos jogadores.

A expansão reúne 135 novas cartas colecionáveis e resgata nomes importantes da mitologia de Warcraft, incluindo C’Thun, N’Zoth, Yogg-Saron e Y’Shaarj. Além de explorar esse período da história da franquia, o conteúdo introduz novas mecânicas e oferece ferramentas para diversificar a construção de decks.

A escolha dos Deuses Antigos como protagonistas é um dos pontos mais interessantes da proposta. São personagens conhecidos por sua influência sobre Azeroth e por representarem ameaças de grandes proporções. Colocá-los em uma época na qual estavam no auge de seu poder também permite que a Blizzard trabalhe com versões mais perigosas dessas criaturas, algo que se reflete diretamente no funcionamento de suas cartas.

Ainda assim, o apelo da temática, por si só, não garante uma expansão memorável. O que realmente importa é a maneira como essas figuras são incorporadas às partidas e se suas mecânicas conseguem criar estratégias interessantes sem comprometer o equilíbrio do jogo.

Assemble é a principal novidade da expansão

Entre as novidades de Reign of the Black Empire, a mecânica Assemble é a que mais chama a atenção por seu potencial de alterar a maneira como os jogadores avaliam as cartas disponíveis.

Seu funcionamento permite que determinadas cartas adicionem um lacaio à mão do jogador, substituindo parte do texto de sua habilidade por um efeito retirado de outro lacaio. O resultado é uma combinação de características que pode produzir unidades diferentes das cartas originais, abrindo espaço para novas possibilidades durante a construção e a execução das estratégias.

O sistema utiliza um conjunto selecionado de mais de 250 cartas, o que oferece uma variedade considerável de combinações. Isso não significa que qualquer carta do jogo possa ser utilizada livremente, mas o número de possibilidades já é suficiente para tornar a mecânica um dos principais atrativos da expansão.

Na prática, Assemble pode favorecer jogadores que gostam de experimentar combinações e encontrar interações menos óbvias entre habilidades. A mesma carta pode assumir funções diferentes dependendo dos efeitos disponíveis, o que torna importante conhecer o conjunto de opções antes de decidir quais recursos manter na mão ou utilizar durante uma partida.

Essa variedade também pode trazer uma dificuldade adicional. Quanto maior o número de combinações possíveis, mais importante se torna compreender quais delas realmente fazem diferença em uma partida. Nem toda fusão será necessariamente eficiente, e a utilidade de cada resultado dependerá de fatores como custo de mana, sinergia com o deck e situação do campo.

Por isso, Assemble tem potencial para ser uma das mecânicas mais interessantes da expansão, mas seu sucesso dependerá de como as combinações se comportam na prática. Uma grande quantidade de possibilidades é positiva, desde que existam motivos estratégicos para explorá-las, em vez de apenas escolher os efeitos mais fortes disponíveis.

Os Deuses Antigos retornam em versões mais poderosas

Os quatro Deuses Antigos são outro destaque de Reign of the Black Empire. C’Thun, N’Zoth, Yogg-Saron e Y’Shaarj retornam como lacaios lendários neutros, agora representando versões que correspondem ao auge de seu poder dentro da história de Azeroth.

Cada um deles possui quatro habilidades distintas, das quais duas podem ser utilizadas por turno. Depois que todas as quatro habilidades forem ativadas, o próprio Deus Antigo poderá atacar. A estrutura cria uma progressão que exige planejamento e permite que o jogador aproveite diferentes efeitos antes de colocar a criatura diretamente em combate.

A ideia é interessante porque esses personagens não funcionam apenas como lacaios lendários com atributos elevados. Suas habilidades oferecem ferramentas que podem influenciar o desenvolvimento da partida, tornando a escolha dos efeitos e o momento de utilizá-los partes importantes da estratégia.

N’Zoth, por exemplo, continua associado às sinergias com Deathrattle, característica que acompanha o personagem em suas aparições anteriores. A proposta, porém, é ampliar essa identidade para acompanhar o nível de poder do Hearthstone atual.

O desafio está em encontrar o equilíbrio entre o impacto dessas cartas e o tempo necessário para aproveitar todos os seus recursos. Criaturas com múltiplas habilidades podem oferecer bastante valor, mas também precisam encontrar espaço em decks que tenham condições de utilizá-las de maneira consistente.

Se o custo e os efeitos estiverem bem ajustados, os Deuses Antigos poderão funcionar como peças centrais de estratégias específicas. Caso sejam fortes demais ou dependam de condições muito difíceis de cumprir, existe o risco de se tornarem cartas pouco utilizadas ou escolhas obrigatórias em determinados arquétipos.

A proposta, portanto, é promissora, principalmente para quem gosta de construir decks em torno de personagens lendários. O resultado definitivo, no entanto, depende do desempenho dessas cartas diante das estratégias disponíveis no meta.

Titan Watchers ampliam as possibilidades estratégicas

Além dos Deuses Antigos, a expansão apresenta os Titan Watchers, outra categoria de lacaios lendários que precisa ser diferenciada dos quatro grandes antagonistas do conjunto.

Um dos exemplos é Isiset, uma carta lendária de Mago que custa seis de mana, possui atributos 5/5 e invoca dois Constructs com atributos 10/10 por meio de seu Battlecry. Existe, porém, uma condição importante: os Constructs permanecem congelados até que o jogador gaste 15 de mana em feitiços.

A mecânica coloca uma escolha interessante nas mãos do jogador. Invocar dois lacaios com atributos tão elevados pode representar uma vantagem significativa, mas a condição para liberá-los exige planejamento e investimento de recursos. Isso torna Isiset uma carta que precisa ser avaliada não apenas pelo tamanho das criaturas que coloca no campo, mas também pelo esforço necessário para aproveitar seu efeito.

O exemplo ilustra uma característica importante do design de cartas de Hearthstone: números elevados nem sempre significam eficiência imediata. Uma unidade poderosa pode perder valor quando depende de uma condição difícil de cumprir ou quando demora demais para influenciar o resultado da partida.

M.O.T.H.E.R. também integra o grupo dos Titan Watchers, mas possui uma característica que amplia seu alcance: pode ser utilizada por todas as classes. Além disso, a carta foi disponibilizada gratuitamente durante o período de preparação para a expansão, oferecendo aos jogadores uma oportunidade de experimentar parte das novidades sem depender exclusivamente da abertura de pacotes.

A presença desses personagens ajuda a diversificar o conjunto de lendárias, mas será importante observar quais delas conseguem encontrar espaço nos decks competitivos. Algumas podem se destacar por oferecer efeitos versáteis, enquanto outras talvez dependam de estratégias muito específicas para justificar sua inclusão.

Aberrations renovam a experiência em Battlegrounds

As novidades não se limitam ao modo tradicional de Hearthstone. A expansão também vem acompanhada de mudanças em Battlegrounds, incluindo a introdução das Aberrations, lacaios que exploram sinergias com descarte e mecanismos relacionados aos Deuses Antigos.

O sistema trabalha com duas Deities possíveis: C’Thun e Y’Shaarj. Uma delas é escolhida aleatoriamente no início de cada partida, e o progresso acontece conforme as Aberrations aliadas morrem. Depois de três mortes, a Deity correspondente entra em combate e ativa seu efeito.

C’Thun divide seus atributos entre os demais lacaios do jogador, enquanto Y’Shaarj invoca as duas primeiras Aberrations aliadas que morreram naquele combate, trazendo-as de volta com atributos máximos, com exceção das próprias Deities.

Essa estrutura incentiva uma abordagem diferente daquela em que o jogador tenta simplesmente manter seu campo intacto. As mortes passam a fazer parte do planejamento, criando oportunidades para ativar os efeitos das Deities e aproveitar as interações entre os lacaios.

O descarte também assume um papel importante nesse conjunto. Feitiços como Sludge Corrosion, Corrupted Coin e Energizing Chamber foram destacados como ferramentas para explorar as novas sinergias, enquanto os heróis Drest’agath e Kith’ix chegam com poderes que favorecem o descarte e a obtenção de lacaios.

Drest’agath pode descartar uma carta para receber uma Aberration aleatória. Já Kith’ix permite obter dois lacaios aleatórios, descartando um deles quando o outro é jogado. São abordagens diferentes para trabalhar com os recursos disponíveis e criar situações em que perder uma carta pode gerar uma vantagem em outra parte da partida.

A principal qualidade dessa proposta está em incentivar decisões menos convencionais. Em vez de tratar cada morte ou descarte como uma perda, o jogador passa a considerar como esses acontecimentos podem contribuir para uma estratégia maior.

Por outro lado, a presença garantida das Aberrations nos lobbies foi limitada às duas primeiras semanas após sua introdução. Também existem restrições temporárias na rotação, incluindo a saída das Nagas durante esse período. Essas mudanças ajudam a destacar o novo conteúdo, embora alterem as opções disponíveis para quem já possui preferências bem definidas em Battlegrounds.

No conjunto, as Aberrations parecem oferecer uma alternativa interessante para o modo, principalmente para jogadores que gostam de construir estratégias em torno de efeitos encadeados. O quanto elas conseguirão renovar a experiência dependerá da variedade de composições viáveis e da maneira como se encaixarão nas rotações posteriores.

Eventos, recompensas e opções de pré-venda

A preparação para Reign of the Black Empire foi acompanhada por uma série de eventos, recompensas e atividades especiais. Entre os destaques estão a lendária M.O.T.H.E.R., disponibilizada gratuitamente para os jogadores elegíveis, o Black Market e o evento War of Old & New.

O Black Market utilizou Bloodstones, uma moeda obtida em partidas ranqueadas durante o período do evento, para permitir a troca por pacotes e itens cosméticos. Entre as opções estavam quatro pacotes da expansão, uma carta Signature de Taelan Fordring e diferentes aparências para heróis.

Como as Bloodstones não são acumuladas entre eventos do Black Market, era necessário gastar a moeda dentro do prazo estabelecido. Esse modelo cria um incentivo para participar das atividades durante a janela de disponibilidade, mas também exige atenção dos jogadores para que as recompensas conquistadas não sejam desperdiçadas.

Já o evento War of Old & New ofereceu cartas relacionadas à expansão, ingressos para a Taverna e uma aparência de herói para Sacerdote. A proposta foi permitir que os jogadores tivessem contato antecipado com parte do novo conteúdo antes do lançamento oficial.

As opções de pré-venda também variam conforme o pacote escolhido. O Mega Bundle inclui 90 pacotes, uma cópia dourada de C’Thun, Eye of the Empire, cosméticos e a lendária Signature Drest’agath. Existe ainda um Sequence Bundle, que pode ser desbloqueado após a aquisição dos dois pacotes principais e inclui Isiset Diamante.

A Blizzard também anunciou recompensas relacionadas à futura classe Monge para quem adquirir os três pacotes. A classe, contudo, não faz parte desta expansão e está prevista para março de 2027.

Essas iniciativas ajudam a manter a comunidade envolvida durante o período de lançamento, mas é importante separar o valor do conteúdo jogável das ofertas comerciais. Pacotes adicionais e itens cosméticos podem ser atrativos para colecionadores, porém não são necessários para avaliar a qualidade das novas mecânicas.

Para quem pretende investir dinheiro na expansão, a decisão deve levar em conta o interesse pelas cartas disponíveis e a possibilidade de aproveitar as recompensas oferecidas. O número de pacotes, por si só, não garante que o jogador conseguirá montar os decks desejados.

O que a expansão representa para o futuro de Hearthstone?

Além das novidades imediatas, a Blizzard aproveitou a apresentação de Reign of the Black Empire para antecipar mudanças que chegarão ao jogo posteriormente. Entre elas estão a introdução da classe Monge, prevista para março de 2027, partidas 2v2 em Tavern Brawls, uma reformulação do Journal e mudanças na navegação do menu principal.

Esses anúncios indicam que a desenvolvedora pretende ampliar tanto as possibilidades de jogo quanto a maneira como os jogadores acessam eventos, missões e conquistas.

A chegada do Monge é especialmente relevante por representar uma nova classe, algo capaz de ampliar as opções de construção de decks e trazer novas identidades de jogo. Ainda assim, como os detalhes de suas mecânicas não foram apresentados no material analisado, é cedo para avaliar seu impacto.

As partidas 2v2 também podem representar uma mudança interessante para quem deseja jogar acompanhado, embora seu potencial dependa das regras e dos modos de interação que serão implementados.

Por enquanto, essas novidades funcionam principalmente como uma indicação dos próximos passos do jogo. O foco imediato continua sendo a capacidade de Reign of the Black Empire de renovar o interesse pela experiência atual e oferecer motivos concretos para experimentar novas estratégias.

Vale a pena ficar de olho em Reign of the Black Empire?

Hearthstone: Reign of the Black Empire apresenta uma combinação interessante de nostalgia, novas mecânicas e mudanças em Battlegrounds. A ambientação na Azeroth ancestral oferece um contexto adequado para o retorno dos Deuses Antigos, enquanto Assemble se destaca como a principal novidade do conjunto por permitir combinações entre habilidades de diferentes lacaios.

As quatro lendárias centrais também chamam a atenção por oferecerem múltiplos efeitos, enquanto os Titan Watchers exploram condições específicas para transformar recursos em vantagens durante a partida. No modo Battlegrounds, as Aberrations acrescentam estratégias baseadas em descarte, mortes planejadas e invocação de Deities.

O conjunto tem potencial para estimular a experimentação e oferecer novas opções tanto para jogadores casuais quanto para aqueles que acompanham o cenário competitivo. No entanto, quantidade de cartas e variedade de efeitos não são suficientes para garantir uma expansão bem-sucedida. O equilíbrio entre as estratégias, a consistência das combinações e a capacidade das novas cartas de competir com os arquétipos existentes serão fatores decisivos.

Também vale observar que parte das novidades depende de condições específicas para funcionar. Cartas que exigem muito investimento de mana ou combinações pouco frequentes podem acabar sendo menos utilizadas do que parecem inicialmente. Da mesma forma, Assemble precisará demonstrar que suas possibilidades resultam em decisões relevantes, e não apenas em combinações circunstancialmente poderosas.

Sem resultados concretos de partidas e dados do meta após o lançamento, ainda não é possível afirmar que a expansão conseguiu renovar o ambiente competitivo ou estabelecer novos decks dominantes. O que se pode dizer é que sua proposta oferece uma base interessante para isso.

No fim, Reign of the Black Empire parece especialmente promissora para quem gosta de experimentar mecânicas diferentes e construir decks em torno de cartas lendárias. A expansão apresenta boas ideias e aproveita personagens importantes da franquia, mas seu verdadeiro sucesso dependerá de como essas ideias funcionarão quando os jogadores começarem a explorar seus limites.


Jogo analisado e executado em um PC via Battle.Net
Copia fornecida para analise pela Activision Blizzard e Theo Games