Clive Barker’s Hellraiser: Revival – REVIEW

Após cerca de 40 anos depois da franquia de filmes ter sido criada, Hellraiser finalmente ganha o seu primeiro jogo, lançado recentemente no dia 08/10. Conforme a franquia foi sendo desenvolvida, tiveram vários altos e baixos, mas que, sem dúvidas, mostrou um universo bem rico em conteúdo, nos mostrando que jogos de franquias de filme de terror ainda possuem esperança para que possam ser bons.

HISTÓRIA

No game, o jogador acompanha o personagem Aidan Lynch, um jovem que faz parte da gangue criminosa Hellraiser, e que acaba conhecendo a menina que ele passa a chamar de Sunny. Menina essa que, com o tempo, acabou virando sua “amante”. Assim que o game começa, logo na primeira cena nós já podemos ver o casal, como de praxe na franquia Hellraiser, praticando relações sexuais com alguns fetiches um tanto quanto violentos, e por conseguinte, acabam ativando a caixa Configuração do Lamento, o cubo onde é mostrado em todos os filmes, e que logo em seguida, chama os Cenobitas para eles dois, capturando a Sunny e obrigando Aidan a fazer um tipo de pacto para se dar à eles em troca da liberdade dela. Logo em seguida, Aidan desmaia e é capturado pela Igreja Escarlate, uma espécie de culto masoquista que saúda e adora os Cenobitas. O objetivo de Aidan então, é fugir do culto e salvar sua amada.

GAMEPLAY

Logo após essa rápida introdução, o jogo já começa e começa bem. Logo no começo, somos apresentados a uma atmosfera pesada, macabra e extremamente violenta, e isso perdura até o final do game. O jogo mistura uma série de fases que envolvem combate corpo-a-corpo, combate com armas, stealth, puzzles e perseguições, mas em que nenhum momento faz o jogador achar que quebrou o clima do jogo ou que está de saco cheio daquilo, tornando uma experiência bem agradável e dinâmica.

O combate, assim como todas as outras mecânicas, não acaba tendo nada demais, mas tudo o que o compõe, juntamente das outras categorias, acaba sendo feito de uma forma excepcional, na minha opinião com a única exceção sendo o combate corpo-a-corpo. O jogo possui dois estilos de combate, sendo o corpo-a-corpo onde possuímos as armas brancas como facas e fações, sendo ótimos pra matar inimigos em que estão com partes do corpo a mostra, e porretes, bastões e armas pesadas no geral pra quebrar a armadura de tipos específicos de inimigo. Infelizmente, na minha opinião, o combate deixou a desejar em alguns aspectos. Senti o tempo todo que a esquiva era falha, dando a falsa sensação de que é lenta e efetuada em um espaço extremamente curta; apesar de existirem só dois tipos de armas brancas, sendo as contundentes e lâminas, as variações de cada uma são bem poucas, mudando praticamente só a durabilidade da arma; e pra finalizar, a partir de um momento do jogo, as armas brancas se tornam praticamente inúteis, não só pelos inimigos estarem praticamente todos armados, mas também pelo fato do jogo encher o jogador de munição e recursos, ao menos na dificuldade normal. Em contrapartida, no gunplay é onde o jogo reina.

Diferente dos FPS convencionais onde, ao mirar, aparece a retícula no meio da tela, em Hellraiser: Revival, os desenvolvedores decidiram deixar de um jeito mais realista, onde, ao mirar, temos que nos basear apenas pela mira de ferro da própria arma. O jogo também nos apresenta uma inteligência artificial dos inimigos bem desafiadora, com ele sempre te flanqueando quando estiver em um local com várias passagens, tornando o combate bem desafiador. No meio do combate, podemos também usar a Configuração do Lamento para puxar objetos do cenários, como lâmina de serra, pregos e outros objetivos afiados para lançar na direção do inimigo, e também pegar fogo de tochas ou de galões explodidos para jogar nos mesmos.

O stealth acaba sendo bem normal, podendo neutralizar o inimigo pelas costas, usar garrafas e pedras pra chamar a atenção e usar partes do cenário onde contém vegetação e lugares escuros para se esconder. Entretanto, achei que o stealth deixou a desejar no momento em que somos localizados, com inimigos enxergando o jogador de muito longe e de forma muito rápida, me fazendo sentir falta de um medidor, como já mostrado em vários outros jogos.

PUZZLE

Os puzzles acabam sendo bem 8/80, pois, ao mesmo tempo em que o jogo possui puzzles bem interessantes, como montar a Configuração do Lamento em formas diferentes para servir de chaves para diferentes estruturas, o jogo também possui puzzles detestáveis, em alguns momentos meio que tacando o jogador pra sorte e ponto final. No jogo temos dois tipos de puzzle, o que estamos parados em um ponto tendo que resolver algo rápido, onde, na minha opinião, é o que mais falha, e os que somos postos no labirinto, tendo que resolver os puzzles nos locomovendo e usando blocos pra libertar a passagem, onde, aí sim, são puzzles muito bem feitos e que fazem o jogador ter que pensar de verdade.

EXPLORAÇÃO

A exploração é onde todo bom survivor horror tem de melhor, e em Hellraiser: Revival não é diferente. O jogo contém claras inspirações em Resident Evil, principalmente pelo inventário do jogador, onde possui um espaço limitado tendo que manejar corretamente os itens que leva, onde também temos uma caixa de itens para guardar o que acharmos necessário, como também pelo backtracking a áreas já exploradas, mas que agora com um item-chave novo pra desbloquear algum quarto novo. Achei durante o jogo todo, uma exploração extremamente satisfatória, onde mesmo tendo itens em abundância, o jogador corre o risco de ficar carente de recursos com frequência, sendo uma experiência bem equilibrada e satisfatória de se explorar o mapa. Todavia, o jogo apresenta uma mecânica de lock pick como já vimos em vários outros jogos, tendo que girar uma parte da gazua e pressionar com a outra parte, assim, encontrando o ponto certo e destravando a tranca, e caso force muito a gazua, ela se quebrará, mas que, diferente de Dying Light onde isso é feito de forma satisfatória e diria que bem equilibrada, em Hellraiser: Revival, o lock pick é péssimo, mal tendo uma localização do quão perto a gazua está de quebrar direito, como também ela quebra extremamente fácil.

O jogo também em vários momentos nos apresenta momentos de perseguição, sendo a maioria pelo Tagarela, um dos quatro Cenobitas apresentados desde o primeiro filme. Esse momento é um dos meus favoritos do jogo todo e um dos mais angustiantes, pois o perseguidor não só nos da hit kill, como também somos obrigados a fugir sempre pelo labirinto, um lugar extremamente estreito e tendo de fazer puzzles em vários momentos ao mesmo tempo em que ele está na nossa cola para podermos fugir.

Thales Buscatto

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